terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Dois

São dois.
Somos dois.
Eu nunca quis achar a "minha metade", porque sempre fui inteira.
E talvez eu só precisasse encontrar alguém que, sendo inteiro como eu, também não procurasse metades.
Porque ser inteiro basta. Mas é ser apenas um.
E quando queremos ser mais, precisamos encontrar mais um.
Inteiro.
Para que possamos ser dois.
Dois.
Ainda bem que somos dois.
Ainda somos dois.
Somos dois, porque nos fizemos juntos.
E seremos muitos.

Seremos muitos anos. Mas seremos sempre dois.
Mesmo quando formos mais.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Band-Aid colorido



Andando pela rua passei por uma menininha com uns 5 band-aids coloridos espalhados pelo braço. Ela estava toda feliz em exibir os curativos e os machucados que não foram completamente cobertos por eles. Quando percebeu que eu estava olhando ficou ainda mais exibida e fez questão de verificar se eu tinha visto todos eles, passando o dedinho em cada um e olhando de volta pra mim. Eram todos coloridos e cheio de figurinhas bonitas... Achei estranho a felicidade da menininha em exibir os machucados. Mas sorri de volta para ela ficar feliz.

Depois fiquei pensando... Não é estranho. A gente desde criança exibe machucado, e talvez por isso a gente seja acostumado a ainda ficar exibindo eles por ai. Nós não cansamos de mostrar machucados e curativos a todo instante. Só que hoje a gente exibe em rede social, blog, outdoor.

Tanta gente reclama da vida, reclama do mundo, reclama da sorte, reclama do tempo...

Eu mesmo, quantos machucados eu exibo aqui?
Sempre disse que é difícil escrever felicidade.
É muito mais fácil escrever sobre aqueles relacionamentos não correspondidos, mal correspondidos ou quase correspondidos. 

A gente exibe o sapato que machuca, a calça que não cabe, o cara que não presta. E o cara que presta mas não gosta de você, o cara que presta (?) mas gosta de você e da torcida do flamengo, o cara que você gostaria que prestasse. O amigo que te traiu, a pessoa que te decepcionou.

Indiretas, fotos bonitas e frases feitas para pessoas que sequer vão ler.

A gente faz questão exibir revolta, de gritar de raiva, de dor, de ódio. De mostrar curativo em foto de balada, em mais frases feitas e em outras fotos bonitas. Até aquele arranjo de flores vergonhoso que se manda no trabalho da ex, depois da briga, pra exibir arrependimento. É brega, mas é mostrar machucado.

Gostamos de deixar aquela parte do machucado destapado, algumas vezes por orgulho da ferida. E talvez a gente não se dê conta do tanto de curativo com os quais andamos pelas ruas. 

No fim das contas, acabei percebendo que no fundo todo mundo é até hoje exatamente como a menininha.

...A única coisa que muda são os band-aids coloridos.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Shoud I?


Should I give up
Or should I just keep chasing pavements?
Even if it leads nowhere
Or would it be a waste?
Even if I knew my place should I leave it there?
Should I give up,
Or should I just keep chasing pavements?
Even if it leads nowhere

domingo, 1 de dezembro de 2013

Porrrque é dia de aniversário!


Se tem algo de bom que essa internet me trouxe, foi ela.
Lá de longe, sabe-se lá porque, ela resolveu comentar nesse meu bloguinho. Quem vem aqui de vez em quando sabe, que ele deve ter seus 5 leitores. Não sei porque ela resolveu vir aqui, mas lembro bem o texto que ela leu. 
Esse daqui: Enquanto ela dormia
...que é um dos meus preferidos até hoje.
Talvez por ter sido o que me trouxe uma pessoa louca. Que me apresentou outra pessoa louca (Ei Márcio!) e que resolveram um dia me encontrar no aeroporto de Campinas só pra me dar um oi.
Não sei como esses dois se tornaram tão meus amigos e depois disso, mesmo sem saber muito como conseguimos nos conhecer tanto, sem nunca termos nos conhecido, fiz questão de sair do aeroporto pra conhecer todas as bebidas de nomes estranhos de Indaiatuba.
E ela veio tentar conhecer o que Vitória tem de melhor. Ou 'Dizem que tem'.
Ela me liga de madrugada só porque quer que eu fale a todos do churrasco o meu 'porrque', que para ela é engraçado, para divertir e entreter, e eu atendo. 
Ela tem um cão peidorreiro que tem a pata maior que a minha e que me ama.
Ela não julga minhas confissões, mas não esquece de dizer: 'é um sapato que não vale a pena'.
Me manda whatsapp pra dizer que já respondeu meu e-mail porque é uma pessoa sensata.
Fez Simba literalmente se apaixonar por ela e virou nome em duas rolhas de vinho.
Ela precisa conviver um pouco mais comigo, pra fazer sem medo de esculhambar o calendário, a sua festa de aniversário com o tema de festa junina.
E por fim, virou verbo. 'Nubiar'. Só resta saber se isso é bom.

Eu nunca sei bem quando os amigos chegam, mas sei bem reconhece-los para nunca deixa-los irem embora. Mesmo que eles estejam quase todos longe.
Parabéns menina do sotaque engraçado!

E eu sou a garota mais sortuda do planeta.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Judith e Juan

Algumas pessoas dizem que eu sou louca. Mas se elas soubessem o que acontece comigo, diriam que eu sou até bem normal.
E dessa vez, eu juro, eu só peguei um ônibus.
Estava eu sentadinha num lugar qualquer, mas que infelizmente fica de frente para aqueles assentos que ficam virados ao contrario no ônibus.
Tudo igual a qualquer dia, até então. O motorista correndo, gente reclamando, toques de celular de quadradinho de oito (não reclamo. A pessoa poderia inventar de ouvir a musica inteira, e sem o fone de ouvido.)
Até que o ônibus passa em uma escola e entra um menino. Meio gordinho e espinhento. Normal também para um adolescente.
Senta na minha frente. Isso, naquela situação significava realmente de frente para mim.
Eu fiz o que sempre faço no ônibus.
Ignorei.
Acreditando que ele fosse fazer o mesmo. Como geralmente fazem, a não ser que sejam velhas ou trombadinhas querendo te assaltar.
Mas me enganei.
- Oi.
(- hã?)
- Você vai descer no terminal de Carapina ou no de Laranjeiras?
- Olha, na verdade eu vou descer no próximo ponto.
- Ahhhh que bom!
(- hã?)
- Sabe... Eu gosto muito desse lugar que você está sentada. Você senta de frente, sabe? Fica com o vento na cara e se der sorte e não tiver ninguém na sua frente até pode esticar as pernas e ir apreciando a paisagem... E vou te falar, o melhor horário pra pegar ônibus é entre 10 e 11 horas, dá pra relaxar bastante...
- (Não, não sei. Não considero o ônibus um lugar de descanso.) Ah é? Que bom.
- Qual o seu nome?
- (ma oeee?) Judith.
- O meu é Juan.
Me deu a mão em cumprimento e continuou a falar como se não houvesse amanhã.
- Sabe... Na minha sala tem uma Judith. Mas você não se parece com ela... Sabe porquê?
- Porque eu sou mais velha?
Nessa hora a menina que estava retocando o kolene no cabelo até riu. O carinha com boné de aba reta deu uma mini gargalhada. Mas o Juan ignorou.
- Não. Porque ela é muito, mas muito, mas muito, mas muiiito (nessa hora ele juntou a mão na boca e apertou os olhos pra da uma real noção do quão muito qualquer coisa a menina era, e fiquei até com medo de chegar o meu ponto e não descobrir, porque achei que ele não ia parar de falar "muito")... mas muuuuito burra!
- Hum... Eu não sou burra.
- Claro que não é!!! Ela também é meio chata sabe. Daquelas meninas que se acham...
- Hum.
- Mas em uma coisa ela parece com você... Ela é bonita. Acho que é por isso que ela se acha, sabe?
- Sei não...
- Mas ela é burra demais. Não sabe contar até dez.
- Mas aposto que sabe dizer não e já disse pra você.
Dessa vez o menino do boné de aba reta fez até pffff e disse "ai". A menina do cabelo de kolene olhou pro Juan esperando a resposta dele. Porque a essa altura, nosso diálogo estava quase sendo transmitido pela BBC, tamanha a curiosidade do ônibus todo. 
Mas o Juan tinha uma capacidade de ignorar pessoas ainda melhor que a minha, pena que não a usou comigo. Simplesmente nem ouviu o ai do mister-aba-reta e respondeu como se eu fosse a unica pessoa ali e  nós estivéssemos sentados na praça tomando um refrigerante:
- Deeeus me livre de querer alguma coisa com a Judith...
- Hum.
- Ela é burra. E sabe de uma coisa? Eu acho que não vai melhorar não...
- Coitada dela, né?
- Uhum. Vai morrer burra e chata.
- Pois é... E vai ficar velha... 
  ...Que nem eu. 
E ri meio cúmplice. Entendendo a paixão recalcada do Juan pela Judith. Porque, né? Quem nunca?
- É... mas você não é burra. E ainda é bonita.
- Mesmo que velha né? Acho então que estou melhor que a sua Judith.
- Ô. 
E depois de um período em Nárnia - porque aparentemente se passaram 30 anos em 500 metros - chega meu ponto e eu levanto. Ele levanta junto, porque afinal não podia perder o melhor lugar do ônibus. E senta no meu lugar. Eu fico de costas pra ele e percebo que está todo mundo sorrindo no ônibus.
Mas Juan não satisfeito me cutuca no braço. Eu olho e ele estende a mão de novo. Pega minha mão, dá um beijo nela e se despede.
- Tchau, tia!

Eu ficaria brava. Se não tivesse rido tanto.
Assim como todo mundo daquele lugar.
E foi bom terminar o dia fazendo 50 pessoas sorrirem.

Mas acho que o melhor mesmo, foi saber que eu sou uma Judith melhorzinha que a do Juan.