terça-feira, 18 de outubro de 2016

Agora




A ideia era fazer um textão agora.
Agora, que o dia acaba e a gente começa a falar da vida.
Agora, que hoje em dia é entre o jantar que não fica pronto do lado de cá e a soneca da Lilly do lado dai.
Agora, que eu sinto falta - every fucking day - de você me obrigando a ir correr. 
Agora, que a gente fala de plano de vida, ambições e fé. No caso a sua em mim. De que um dia eu consiga escolher entre 3 tipos de bolo.
Agora, mesmos nos raros dias em que não nos falamos. Ou que só trocamos um "Ce tá viva?" "To. Mas tá foda?".
Agora, que nos restos dos dias, que não os raros, as conversas que começam com o mesmo "Tá foda" acaba em alguma coisa completamente sem sentido sobre doenças venéreas.
Agora, que geralmente eu preciso ler um manual e te mando pra você resumir.
Agora, que eu lembro que preciso achar uma lavanderia boa e você estando fora do país a 5 anos é a primeira pessoa que me vem a cabeça pra pedir uma indicação.
Agora, que marido está dançando na sala com a gata e eu tenho que filmar pra te mandar.
Agora, que vendo essa foto que eu tirei anos atrás fico aqui me perguntando como começou essa história de banco vazio que a gente tem. 
Agora, que eu conseguiria depois de um dia puxado ainda escrever o quanto eu te amo.

Mas percebi, lembrando disso tudo, que agora eu não preciso.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Retrato do amor eterno




Eu costumo odiar o dia de qualquer coisa que não seja feriado. 
Mas eu também costumo ser uma pessoa que não se importa em mudar de opinião no fim do dia.
Pode ser pelo dia, ou pelos abraços forçados que ganhei a contragosto, mas eu comecei a pensar sobre amor.
E o quanto eu amo.
O quanto eu amo essas pessoas que me fazem acreditar todos os dias o quanto a amizade é algo além da proximidade e da cerveja no bar (mas bora lá também...).
O quanto eles me fazem acreditar que é possivel estar ao lado estando a 900km de distância ou estarem na hora certa mesmo estando 4 fusos desencontrados.
Amigo é seu irmão com sotaque do sul.
É aquele que fala bah guria e te espera na fila do algodão doce.
É pra quem você compra sapatinho pros filhos quando eles ainda são só sonho. Amigo fala de preferência sexual e Stephen Hawking no mesmo contexto. E de metas de vidas e abacates com a mesma intensidade.
Amigo sabe que vai dar merda, avisa, mas fala "vai lá e depois a gente junta os caquinhos" mesmo que faça isso dizendo o quanto você é demente.
Amigos agregam.
Amigo meu tem que ser amigo do meu amigo, senão é apenas colega.
E esse montinho mostra bem o que somos.
Obrigada por serem quem vocês são.

E por me saberem menos dura do que eu possa parecer.

Esse é o retrato do amor eterno


domingo, 22 de maio de 2016

Isn't she lovely...




Lilly,
Madrinha só sabe fazer textos e caixinhas, então seus presentes se resumirão a textos dentro de caixas, que muitas vezes não darão certo (pergunte à sua mãe). Fique feliz, padrinho não sabe nem fazer isso (nem caixas, nem textos e nem presentes).
Madrinha não sabe muito bem lidar com crianças... Padrinho vai fazer essa parte, porque ele sabe por nós dois. 
A paciência que ele vai ter em rolar no chão com você é a mesma que eu terei em te dar banho depois...
Mas madrinha é legal também, (mesmo não tendo o jeito que o padrinho tem) e vai te ensinar todas as coisas erradas que puder...
Mal posso esperar pra te ensinar a fazer maquininha de comida e você ensinar a seus amiguinhos e fazer da maquininha a internacionalmente conhecida "food machine".

... Ah, e eu sei fazer serra, serra serrador. Fique tranquila, você vai amar.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Entre...




Entre o que eu que eu falo em excesso e você prefere não dizer...
Entre o meu exagero e a sua ponderação...
Entre a minha prolixidade e o seu laconismo...
Entre as minhas dúvidas e a sua certeza...
Entre os meus planos e a sua realidade...
Entre a minha capacidade de afirmar perguntando e a sua de perguntar afirmando...
Entre a minha confusão e a sua retidão...
Entre a minha cabeça nas nuvens e o seu pé no chão...
Existe o nosso meio. 
Que não é nossa metade. 
É o que eu e você somos juntos sem nunca termos deixado de ser inteiros.
É o que construímos juntos sem termos deixado de ser nós mesmos. É maior que nós. 
E por isso é tão grande.
E por isso é tão forte. 
E é por isso que vai ser para sempre.


De presente eu só quero que prometa envelhecer comigo, mas sem crescer a ponto de parar de rir do "que de queijo"... 
Promete?


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adeus, sem remorsos.


No creo en las brujas, pero que las hay, las hay.
Então o branco até na unha, para deixar a zica de 2014 em 2014.
Já tomei meu banho de mar para tirar as más energias e simbora que meia noite a gente recomeça. Como diz Quintana, o bom das segundas feiras, do primeiro de cada mês e do primeiro do ano é que nos dão a ilusão de que a vida se renova... 
Para mim, esse ano já vai tarde. Em outras épocas eu teria acabado com ele em agosto (ou antes), como já fiz uma vez... Mas dessa vez esperei ele terminar de verdade, de picardia.  
2014 foi um ano de perdas, de decepções e de decisões. Porque eu não sou de reclamar muito e ficar de mimimi, sem fazer nada a respeito do que me incomoda. Se não estou bem eu mudo. Isso 2014 me ensinou: a não ter medo. E por isso eu preciso agradecer. 
Foi um ano em que a morte esteve ao meu lado, perdi minha madrinha e minha mãe em menos de 3 meses. E perto disso, qualquer outra coisa ruim que tenha me acontecido, fica pequeno.
E por isso eu também tenho que agradecer.  
Porque me fez mais viva. 

A lição de 2014 é: "A gente sobrevive."
Espero que a de 2015 seja : "...E recomeça mil vezes melhor."
 
O bom de um ano ruim é que a gente percebe quem é de verdade para a gente. Obrigado aos que se reaproximaram, aos que chegaram e aos que nunca foram embora.
E na foto também, o simbolismo da única coisa boa desse ano, que na verdade é uma promessa para o ano que vem.

A certeza de que em 2015 começa o primeiro ano do resto de nossas vidas.